1 Ápion acrescenta a isto uma terceira invenção caluniosa. Pois ele afirma que Antíoco encontrou no Templo um leito, e um homem deitado sobre ele, com uma mesa diante dele cheia de iguarias de todos os tipos: animais da terra, do mar e aves; e que o homem estava paralisado de espanto.
2 Assim que viu o rei entrar, prostrou-se diante dele, como se esperasse obter dele uma grande ajuda; caiu aos seus joelhos, estendeu a mão direita e suplicou por liberdade. O rei ordenou-lhe que tivesse coragem e dissesse quem era, por que morava ali e qual era o propósito daquela preparação de comidas.
3 Então o homem, com gemidos e lágrimas, explicou lamentavelmente sua situação forçada. Disse ser grego e que, enquanto viajava pela província em busca de sustento, foi subitamente sequestrado por homens de outra nação, levado ao Templo e lá encerrado; e que por ninguém era visto, mas era alimentado com todo o luxo de iguarias.
4 Inicialmente, aquele banquete inesperado deu-lhe prazer, depois suspeita, seguida de espanto; e por fim, ao perguntar aos servos que o atendiam, ouviu sobre a lei secreta (aporrheton) dos judeus, em razão da qual ele estava sendo engordado.
5 Pois eles fazem isso todos os anos em uma data marcada. Eles sequestram um homem grego estrangeiro, engordam-no por um ano inteiro, levam-no a uma floresta e o matam; sacrificam o seu corpo conforme os seus rituais próprios, provam de suas entranhas e fazem um juramento, sobre o sacrifício do grego, de que não terão benevolência com nenhum grego
6 E o que resta do homem assassinado, lançam em uma cova. Ápion diz então que aquele homem disse a Antíoco que lhe restavam poucos dias de vida, e implorou, pela reverência aos deuses gregos, que ele [Antíoco], odiando o sangue dos judeus, o salvasse daquela necessidade que o cercava.